Farmacodinâmica

Um dos principais usos terapêuticos da codeína é o tratamento da dor ligeira a moderada, como por exemplo o alívio da dor pós-cirúrgica, podendo ser associada a outros fármacos, tais como aspirina, paracetamol, anti-inflamatórios não esteroides e difenidramina (Williams, Hatch et al. 2001).

Pensa-se que o mecanismo de ação da codeína ocorre através da sua bioconversão a morfina, conferindo um efeito analgésico que resulta da ligação deste metabolito aos recetores opioides no Sistema Nervoso Central, representados na figura 8 (Trescot, Datta et al. 2008).

A codeína, enquanto pró-fármaco, apresenta uma baixa afinidade para estes os recetores, daí ser menos potente do que a morfina e exercer um menor efeito no alívio da dor (Williams, Hatch et al. 2001).

Onde atua a codeína?

Os recetores opioides têm ampla distribuição no cérebro, estando também presentes noutros locais do organismo, como no trato gastrointestinal, daí a codeína possuir propriedades antidiarreicas.

Os efeitos terapêuticos dos opioides são definidos pela sua ação sobre três tipos específicos de recetores opioides presentes no organismo (figura 9): mu (μ), delta (δ) e kappa (k).

Apesar da codeína não possuir efeito agonista para os recetores k, apresenta efeito marcado sobre os recetores μ.

Os subtipos μ1 e μ2 medeiam a maioria das ações dos opioides: analgesia, euforia, depressão respiratória, miose e motilidade gastrointestinal reduzida. Os recetores μ1 estão localizados no cérebro e bloqueiam os sinais da dor, mediando a analgesia, enquanto os recetores μ2 intervêm na depressão respiratória.

A codeína suprime o reflexo da tosse através da ação direta no centro de tosse no cérebro (figura 8) pela ligação a recetores distintos da própria codeína inalterada, ao contrário do que ocorre no efeito analgésico. Daí a importância da identificação de compostos sintéticos com ação similar para o uso em formulações para a tosse (Kane and Triggle 2007).

Qual a duração de ação da codeína?

A duração média de analgesia aquando a toma de codeína varia entre 1 a 6 horas, dependendo da dose e da via de administração, oral, retal ou intramuscular, sendo, então, classificada como um analgésico de curta duração (Williams, Hatch et al. 2001).

  • Via intramuscular: para uma dose de 130 mg de codeína administrada por esta via, a duração média do alívio da dor é cerca de 1 a 2 horas.
  • Via oral: para uma dose oral de 200 mg de codeína, a duração de ação é de 4 a 6 horas (Kane and Triggle 2007).

Williams, D. G., et al. (2001). "Codeine phosphate in paediatric medicine." British Journal of Anaesthesia 86(3): 413-421.

Trescot, A., et al. (2008). "Opioid Pharmacology." Pain Physician (11): 133-153.

Kane, B. M. and D. J. Triggle (2007). Codeine, Facts On File, Incorporated.