Farmacocinética

Absorção

A codeína é rapidamente absorvida no trato gastrointestinal após administração oral. A sua concentração plasmática máxima ocorre cerca de 1 hora após a toma e o tempo de semivida no plasma é de 3-3,5 horas. Quando a administração é intramuscular a absorção é mais rápida, aparecendo o pico de concentração plasmática máxima em 0,5 horas (Williams, Hatch et al. 2001). A sua biodisponibilidade é aproximadamente de 50% (IPCS INCHEM).

Distribuição

O volume de distribuição é aproximadamente de 3,6 litros/kg (Williams, Hatch et al. 2001).

A codeína apresenta baixa ligação às proteínas plasmáticas, já que apenas 7-25% tem capacidade de se ligar a estas (IPCS INCHEM).

Distribui-se em órgãos como o fígado, baço e rim e tem capacidade para atravessar a barreira hematoencefálica (Mulugeta).

Metabolismo

Após a absorção, a codeína é principalmente metabolizada no fígado, por uma de três vias diferentes (Williams, Hatch et al. 2001):

  • O-desmetilação: a codeína é transformada em morfina, sendo esta reação catalisada pelo CYP2D6, uma isoenzima do citocromo P450. Posteriormente, a morfina sofre metabolização por glucuronidação e N-desmetilação, originando morfina-3-glucuronido (M3G), morfina-6-glucuronido (M6G) e normorfina. O efeito analgésico da codeína deve-se à ação da morfina e da M6G nos recetores opioides (Heintze and Fuchs 2015).
  • N-desmetilação: a codeína pode também ser metabolizada pelo CYP3A4 através desta via, formando o metabolito inativo norcodeína.
  • Glucuronidação no 6-OH: a codeína pode ser diretamente substrato de uma reação de metabolismo de fase II, pela enzima UDP glucuronosiltransferase-2B7 (UGT2B7), originando codeína-6-glucuronídeo (C6G) (Overholser and Foster 2011).

A grande heterogeneidade nas enzimas do citocromo P450 leva a variações individuais na resposta à terapêutica pelo que a codeína pode não ser um fármaco eficaz em todas as populações (Trescot, Datta et al. 2008).

Eliminação

A codeína e os seus metabolitos são maioritariamente excretados pelos rins. Nos adultos, aproximadamente 10% da codeína é eliminada inalterada, 40-60% como conjugado de ácido glucurónico, 10-20% como norcodeína livre ou conjugada e 5-15% como morfina livre ou conjugada (Heintze and Fuchs 2015).

A clearance total da codeína é de 10 a 15 ml/min/kg.

Pequenas quantidades de codeína passam para o leite materno. No entanto, a sua toma pode ser compatível com a amamentação dependendo da dose administrada e da capacidade de metabolização da mãe (IPCS INCHEM) (Sweetman 2009).

Pequenas quantidades são também excretadas na bílis (IPCS INCHEM).


Williams, D. G., et al. (2001). "Codeine phosphate in paediatric medicine." British Journal of Anaesthesia 86(3): 413-421.

IPCS INCHEM. Codeine. Kinetics. Acedido a 11/04/2017. Disponível em: http://www.inchem.org/documents/pims/pharm/codeine.htm#SectionTitle:1.3.

Mulugeta, L. "Pharmacogenetics of Codeine."

Heintze, K. and W. Fuchs (2015). "Codeine Ultra-rapid Metabolizers: Age Appears to be a Key Factor in Adverse Effects of Codeine." Drug Res (Stuttg) 65(12): 640-644.

Overholser, B. R. and D. R. Foster (2011). "Opioid pharmacokinetic drug-drug interactions." Am J Manag Care 17(11): 276-287.

Trescot, A., et al. (2008). "Opioid Pharmacology." Pain Physician (11): 133-153.

Sweetman, S. (2009). Martindale: The Complete Drug Reference, Pharmaceutical Press.